A indústria automotiva começa o ano com um alento. Apesar de as vendas de janeiro terem sido as piores para o mês desde 2006, com 147,6 mil unidades, queda de 5,2% no comparativo com o mesmo período de 2016, a produção das fabricantes instaladas aqui cresceu 17,1% com relação a janeiro do ano passado. Foram fabricados 174,1 mil veículos ante 148,7 mil.
A explicação, segundo Antônio Megale, presidente da Anfavea, associação que congrega as fabricantes, é que as empresas apostam na recuperação do mercado já no primeiro trimestre e aceleraram a cadência de produção para abastecer as concessionárias:
“O ritmo de queda nas vendas vem diminuindo mês a mês. Mas ainda não se estabilizou. Acreditamos que isso ocorra até março”.
Em janeiro os estoques fecharam com 186,4 mil unidades, o que equivale a 38 dias de vendas. Desse volume 51,4 mil estão nos pátios das montadoras, aumento de 17,8% comparado com dezembro, quando o giro era de 42,2 mil unidades na indústria. Na rede há 135 mil veículos em estoque. No fim do ano passado esse volume era de 134 mil unidades.
“Estamos prontos para dar largada assim que o mercado crescer.”
Para o ano a expectativa da Anfavea é de crescimento de 11,9% na produção, chegando a 2 milhões 410 mil veículos. Já os licenciamentos devem atingir 2 milhões 130 mil, aumento de 4%.
“Há indicadores econômicos que sustentam essa estimativa”, disse o presidente Megale. “A inflação e a taxa de juros em queda estimulam o mercado. Os bancos estão mais propensos a liberar o crédito e isso impacta diretamente no negócio.”
Para economistas consultados pelo Banco Central a expectativa para a inflação este ano se aproximou ainda mais do centro da meta. A projeção para a alta do IPCA, este ano, de acordo com o Boletim Focus, divulgado na segunda-feira, 6, caiu 0,06 ponto porcentual e deve chegar a 4,64%. Já com relação à Selic os economistas acreditam que a taxa básica de juros encerre 2017 a 9,50% e 2018 a 9,00%. Atualmente a Selic está em 13% ao ano.
Esse cenário mais positivo estimulou a concessão de crédito, segundo a Anfavea. Em janeiro 54,5% das vendas foram financiadas. Em novembro do ano passado esse índice foi 50,3%, o pior para a indústria. Historicamente, os financiamentos ficam de 60% a 65% das vendas de veículos novos no País.
“A inadimplência caindo faz com que os bancos liberem mais o crédito, apesar de ainda haver um rigor maior na hora da transação financeira. Mas já vemos a recuperação da confiança.”
Emprego – As fabricantes terminaram janeiro com 121,1 mil postos de trabalho, volume equivalente a dezembro do ano passado. Segundo Megale 10 mil 351 pessoas estão em programas de flexibilização de produção – 1 mil 672 empregados em layoff e 8 mil 679 trabalhadores no PPE, Programa de Proteção ao Emprego: “No nosso setor ocorreu uma certa estabilidade no emprego, também um sinal positivo que mostra a recuperação do mercado”.
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